👊 35 Dias Ocupando O ICEA 👊

13:35

Sim, ficamos ocupados do dia 07 de novembro ao dia 12 de dezembro na Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP em João Monlevade, campus ICEA, esse relato não é pra fazer quem é contra ser a favor até porque cada um acredita naquilo que quer e eu respeito isso, é apenas o meu ponto de vista  em cima de tudo que aconteceu, o meu crescimento pessoal, e a minha gratidão por todos que estavam ali ocupando.
SIM, SE FOR PRECISO EU OCUPO DE NOVO, SEM PENSAR DUAS VEZES!

Foto de um dos dias da ocupação com um dos dogs de lá *-*

Recapitulando do início, dia 7 de novembro estava marcada a assembléia e eu confesso que ainda estava na dúvida sobre o que estava acontecendo, não sabia se queria ocupar, não tinha opinião nenhuma formada. Conversando com algumas pessoas decidi que independente de ser a favor ou não a presença de todos ali era muito importante. Foi o que eu fiz, assisti a assembléia e escolhi logo a frente pra poder prestar atenção em tudo, foram horas de assembléia, contou com mais de 400  alunos (nunca tinha visto tanta gente assim na cantina do ICEA).

Na medida que iam sendo abertas as falas, eu tinha mais e mais certeza de que sim, eu deveria lutar, não importa se iríamos ganhar ou não a batalha, o que importava é que eu não seria mais uma sentada no sofá mexendo na internet ou assistindo TV. Foi uma emoção indescritível quando foi decretava a greve com ocupação, nunca pensei que nosso campus optaria por isso, era hora de agir, começamos o cadeiraço, e foi lindo, todo mundo ajudando, todo mundo ainda anestesiado e sem acreditar.

Aquele dia eu fui pra casa, não estava preparada pra dormir, mas no dia seguinte lá estava eu bem cedo no ICEA, e já vendo algumas barracas, algumas pessoas acordando, e eu só pensava "não tô acreditando que isso está acontecendo no ICEA", sério, estava surreal, até que enfim a gente estava lutando!

Logo dei meu nome pro comitê da ocupação, entrei de cabeça, se era pra lutar, eu estava disposta a fazer o que era preciso, e só pra constar, faço parte de uma empresa júnior, e por mais que estava tendo greve com ocupação, as atividades da empresa não param, foram dias trabalhando na ocupação e na Visão Júnior, foram dias indo dormir de madrugada devido às plenárias e acordando logo cedo pra dar início às atividades do dia.

Tomamos chuva, passamos calor, tiveram dias de estresse extremo, dias de choro, de cansaço, precisei dar menos atenção à meus amigos e família, que super entenderam e apoiaram, gratidão por ter pessoas tão maravilhosas na minha vida!

Aprendi a pensar ainda mais no coletivo, de me preocupar com as pessoas, fiz amigos que provavelmente formaria sem conhecer, e que amigos, que pessoas maravilhosas, que pessoas humanas, que experiência sensacional, tiveram dias alegres, dias de karaokê, dias de dança, dias de jogos, dias de BBB Ocupação, dias de "Tia Aninha", dias de spotted, dias que nada nesse mundo seria capaz de pagar a experiência.

Teve o grande dia de ir manifestar em Brasília, eu ia, mas por algum motivo passei mal (Deus sabe o que faz, e mandou pessoas certas que dariam conta, provavelmente eu não daria), foi um dia de tensão total, o medo de perder quem a gente ama, as aflições de tudo que estava mostrando nas redes, o desespero de ligar pra alguém de lá e não ser atendida e bater o pânico, sim, liguei chorando, pedi minha mãe pra rezar, realmente fiquei apavorada. Até que chega o grande dia da volta, fizemos recepção, com música (#vaiToma), cartazes, apitos, e tudo mais, e quando o ônibus parou na porta do ICEA, sim, chorei de novo, e queria abraçar todo mundo, e agradecia mentalmente a Deus por todos estarem vivos e bem. Duas certezas eu tive nesse momento, realmente havíamos criado laços, viramos sim uma família, cada um ali era muito importante pro coletivo, e que foram para Brasília as pessoas certas, os guerreiros que aguentaram muita coisa, muito pânico, e souberam sair dessa (graças à Deus)!

Teve também manifestações pela cidade, e na última outro fato histórico, conseguimos o apoio da UFOP de Ouro Preto e Mariana, vieram dois ônibus de lá para a ocupação do ICEA, iríamos nos unir, e isso nunca havia acontecido antes, esse dia foi outro dia marcante, mas de lembranças boas, de todo mundo junto na cantina do ICEA, conhecer pessoas que fazem sua mente abrir é muito bom, conhecer pessoas com gostos, estilo e maneira diferente de pensar foi maravilhoso, pena que foi rápido.

Nossos dias de ocupação também foram marcados por gestos humanos, limpeza, plantação de mudas, cuidados com os dogs do campus, até porque cuidar do que é nosso é essencial. Tivemos apoio de muita gente, recebemos doações de muitas pessoas, tiveram muitas palestras e atividades no campus, foi uma experiência sem tamanho.

Até que decidimos que chegou a hora de desocupar, e começamos a arrumar tudo, a desmontar barracas a fazer as malas, a ficar com um aperto no peito por deixar os dogs (sim, nos apegamos à eles), e tirar a foto pra registrar aquele dia.

Talvez você que não esteve lá deve ta achando isso tudo uma besteira, mas pode acreditar, precisei parar de escrever várias vezes porque meus olhos encheram de lágrimas, por lembrar de tanta coisa com carinho, e por ter chegado à conclusão de como isso me amadureceu ainda mais, de como minha visão para as coisas da universidade é outra agora, como eu estou grata de verdade por pessoas tão especiais agora estarem na minha vida.

Sim, infelizmente a PEC foi aprovada, mas em momento algum ninguém da ocupação arrependeu de nada, muito pelo contrário, essa luta toda é só o comecinho, muita coisa vem pela frente.

Ninguém disse que seria fácil, e força a gente ainda tem de sobra! <3

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